QUEM TEM MEDO DA POESIA?

Atualizado: há 6 dias

É visível o incômodo de alguns quando, ao se verem frente a uma obra de arte - seja um quadro, artesanato, performance, balé, teatro, escultura, poesia, ou qualquer manifestação artística - acham que não entenderam nada sobre a obra, tampouco a proposta do autor.

Então, o que é arte, se perguntam? O que o artista quis dizer, afinal. Qual é a ideia ou qual o recado que quer nos passar?

Às vezes, objetos, imagens, textos e versos, batem em nossos corações, pulsam dentro de nós procurando um significado - somos doidos para ter uma resposta pronta para tudo – mas será que estou certo, é isso mesmo o que o autor quis dizer? Um pavor toma conta!

Nessa hora vem também o medo de sermos taxados de qualquer coisa: burro, quadrado, insensível... - entra aí qualquer nomenclatura onde, na realidade, queríamos o rótulo de inteligentes, antenados e cultos. A obra de arte sempre deu status e foi ligada e “compreendida” pelas classes mais abastadas - mais “inteligentes” - pensamos assim.

O medo que fica, referente à compreensão de uma obra de arte, é fruto de um método educacional imposto pela regra de não podermos errar nunca – quando erramos a nota é zero! Além disso, o processo é de memorização dos conteúdos e não de compreensão do objeto, isto é, através de um aprendizado construído através da cognição – do porquê das coisas.

Quando nos voltamos para o campo da leitura, da compreensão textual, é aí onde vemos o que sobrou de todo um método equivocado de aprendizado. Quanto tempo perdido! São anos e anos, léguas tiranas de estrada jogadas fora – as máquinas de calcular até que funcionam, mas, os livros continuam fechados. Os de literatura, mesmo os clássicos, só são consultados para o Enem.

A compreensão textual não fala tão somente de sua importância para o deleite intelectual do leitor, contribuindo para o aumento do seu acervo pessoal - isto tratando-se da literatura artística - fala também, e de modo ainda mais severo, do entendimento dos processos funcionais das máquinas e dos modos de produção em série.

Podemos ainda adicionar aqui, a importância de uma informação de qualidade, onde é preservada a relação clássica (emissor x receptor), onde o conteúdo é claro e inteligível, para melhorar a relação entre as pessoas, entre as empresas e estas com o mercado – isto interfere para o bom andamento dos negócios e dos serviços. Para tudo isso acontecer e para que haja lucro, é preciso compreender o que está escrito.

Quando adicionamos nesta sopa de letras - a poesia – aí é onde o caldo entorna. Vejo isso quando apresento ou posto um poema, é comum as pessoas lerem, no caso da internet há curtidas e comentários, acho que muitos gostam de poesia – até dizem isto - mas perguntam, o que o poema quis dizer realmente? Devolvo a pergunta: o quê você entendeu?

A resposta é básica: não vou matar meu poema, ele que fique batendo dentro de você, aliás, não importa o que eu quis dizer, mas o que você entendeu, se está lhe incomodando é porque tem conteúdo, isto é arte – mistério, sonho e cognição.

O mundo não é quadrado, nem paralítico, muda constantemente junto com os significados dos signos. Boa leitura.

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