PRODUÇÃO CULTURAL – QUE DIABO É ISSO?

Tempos atrás escrevi um artigo que tinha como título: ARTE BOA, ARTE RUIM, ISTO EXISTE? - está publicado neste blog e tenho recebido alguns comentários - algumas pessoas contestando que existe sim diferenças entre uma coisa e outra.

No texto fazia referência à questão que não existe cultura ruim nem boa, nem atrasada nem desenvolvida, posto que ela - a cultura, é fruto do processo sócio-histórico vivenciado pelos grupos sociais através dos tempos e que estes grupos deixam, onde quer que estejam e por onde passem, suas marcas e contribuições para as gerações futuras. Portanto, a meu ver, são apenas diferentes e, que o processo artístico e seus produtos são traços culturais destes grupos, vivendo num determinado local, numa cronologia, sob o julgo de uma ideologia de produção.

Claro que este enfoque é puramente sociológico, observado apenas pela ótica da ordenação social de uma dada sociedade, atentando como esta modela o comportamento das pessoas enquanto meio de controle social.

Porém o que está em jogo aqui e no texto anterior, é definirmos o que é cultura e o que é estética, penso eu! Às vezes os produtos artísticos, em suas várias manifestações, não condizem com os valores estéticos apregoados pelos grupos de poder e aí, corre-se o risco de determinar que aquela “arte” é ruim, que não tem qualidade nem valor de mercado.

No entanto, temos que acreditar na concepção que o produto artístico é oriundo dos processos culturais e que estes manifestam o modo de vida de grupos sociais e também, que este modo de vida se adapta às questões políticas, econômicas, sociais e religiosas, vivenciadas em qualquer sociedade.

A partir desta premissa, podemos afirmar que a arte é fruto do processo cultural de um povo ou de grupos sociais, e ela - a cultura - é modelada através das agruras e das riquezas destes grupos - portanto não existe arte ruim nem boa, são apenas indícios para entendermos como funcionam as sociedades e seus guetos.

Para definirmos o que é estética - esta sim, define os limites e cria valor para as expressões artísticas do seu povo - busquei na internet algumas teorias relativas ao caso para explicar o termo, como segue:

“substantivo feminino

1. 1.

filosofia

parte da filosofia voltada para a reflexão a respeito da beleza sensível e do fenômeno artístico.

2. 2.

harmonia das formas e/ou das cores; beleza.

Estética é um termo originário da língua grega, mais especificamente da palavra aisthésis; tem como significado o ato de perceber, de notar. É um ramo da filosofia denominado filosofia da arte que estuda a essência da beleza ou do que é belo, seja natural ou artístico, e a base da arte.

A estética na filosofia

Uma das teses defendidas por Platão é a de que quando uma pessoa se identifica com coisas boas, alcança o belo; e foi a partir deste pensamento platônico que na idade média surgiu a ideia de estudar a estética separadamente das outras duas áreas da filosofia a que estava atrelada, a lógica e a ética, surgindo assim, a filosofia do belo.

Mais tarde durante o renascimento, a estética ressurge da mesma forma e com o mesmo significado que à priori fora dada por Platão, como o belo ser um estado de espírito. Porém, somente no século XVIII na Inglaterra, é que a estética atinge seus mais altos conceitos e importância, quando os ingleses estabeleceram a distinção entre a beleza relativa e a imediata, e entre o sublime e o belo.

Em 1790, Immanuel Kant em sua obra crítica do julgamento, ou crítica do juízo, definiu a priori do juízo estético, denominando o belo como “finalidade sem fim”.

É importante destacar a discordância de pensamentos entre os maiores pensadores da história e os significados propostos por eles para a estética:

Sócrates – Se julgava incapaz de definir o belo ao refletir sobre a estética.

Platão – Para ele, o belo era absoluto e eterno, não precisando de manifestações materiais como a arte e outras para expressá-lo, pois estes apenas seriam a imitação do que é perfeito. O homem não poderia emitir opinião a respeito de algo belo, pois a única reação humana diante de tal seria a passividade. A beleza, o belo, o saber e o amor eram inseparáveis na concepção de Platão.

Aristóteles – Apesar de ser discípulo de Platão, seu pensamento a respeito da estética era completamente contrário ao do seu mestre. Para ele, a beleza não é perfeita nem abstrata, mas concreta, e assim como a natureza humana, pode melhorar e evoluir.

O que é Estética na arte:

Estética é conhecida como a filosofia da arte, ou estudo do que é belo nas manifestações artísticas e naturais. A estética é uma ciência que remete para a beleza e também aborda o sentimento que alguma coisa bela desperta dentro de cada indivíduo.”

Desta forma, podemos afirmar que nem sempre a arte está circunscrita nem atrelada aos padrões de beleza apregoados na sociedade, mas, podemos entendê-la enquanto meio de expressão de grupos, que lutam por espaços fora dos circuitos oficiais, buscando escapulir da padronização do pensamento e ação.

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