POLÍTICAS CULTURAIS, PARA QUÊ?

É do poeta Ferreira Gullar a seguinte frase: “a arte existe porque a vida é pequena” – diz tudo em poucas palavras, coisas que só um poeta de seu tamanho é capaz de criar. A frase suscita o encantamento e o poder que a arte exerce sobre o homem, portanto sobre toda a sociedade.

Seguindo o mote do poeta, buscando na história evolutiva do homem - sua trajetória no processo de dominação da natureza – certamente vamos encontrar a história da arte, sua importância no mundo humano, ou melhor dizendo - da humanização do homem como meio de garantir a perpetuação de sua espécie.

Desde o começo de sua existência o homem produziu arte: imagem e palavra - com o propósito de registrar as memórias de suas derrotas e conquistas – pela busca da obtenção de alimentos e na defesa de sua prole.

Das conquistas bélicas, surgiram relatos que enalteciam seus heróis, de um tempo sem papel e tinta, e que, através dos menestréis tornaram-se conhecidos e suas famas espalhadas por várias cidades. Relatos estes que sempre receberam um dedinho a mais de prosa, por parte do relator, para encantar os ouvintes que se comprimiam nas ágoras antigas.

Assim nasceu a ficção, berço fecundo da linguagem, terreno fértil para uma das mais ricas formas da criação humana, que entre o profano e o sagrado, foi escrevendo a história das experiências humanas através dos tempos.

A cultura nada mais é que o acumulo das experiências do homem e o registro destas nas sociedades. Sem memória, não seríamos capazes de formar os grupos sociais. A Cultura difere os grupos humanos através de suas características vivenciadas através de sua produção industrial e artística. Cria um modelo estético que servirá como base para a formação ética de seu povo. A arte como parte da cultura, constitui a memória e a herança dos povos, reproduzindo suas características e suas peculiaridades.

No mundo atual - a civilização da mercadoria e das mudanças rápidas dos conceitos - vivemos uma crise de identidade onde a arte e a literatura incorporaram, convivendo com as crises das ideologias, o conceito do consumo fácil; dos “mouses inquietos” e das políticas públicas estabanadas que beiram o precipício da prestação de contas.

Atualmente, aqueles que se dedicam a fazer arte se tornam vítimas do mecenato do erário público, estes artistas quase asfixiados, pulsam por ares novos que sejam capazes de aerar seus velhos pulmões.

Mas como isso pode acontecer? Qual o percentual de acerto? Se ainda não criamos cabelos suficientes em nossas ventas, que possam nos creditar a dizer quem somos!


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