POESIA E UM DEDO DE PROSA

“A poesia

quando chega

não respeita nada.

Nem pai nem mãe.

Quando ela chega

de qualquer de seus abismos

desconhece o Estado e a Sociedade Civil...”

Ferreira Gullar

Segundo Nietzsche “quem advoga em favor do erro é a nossa linguagem”. E ainda mais: “a razão nos obriga a fixar a unidade, a identidade, a duração...a causa, a realidade, o ser...”. Eis um bom fio para um dedo de prosa.

Em última análise a razão é a capacidade unicamente humana de se criar valores - se antepondo ao que é do instinto, construída através de um código de conduta mediada por signos e determinada por princípios éticos.

Segundo a filósofa e poeta Viviane Mosé: “Em geral, acostumamos chamar de razão a capacidade que a espécie humana tem de criar e articular palavras e pensamentos... Por isto, o homem foi definido, por muito tempo, como um animal racional, porque é capaz de falar e pensar, capaz de criar valores, conceitos e ideias e relacioná-los.”

A linguagem neste sentido objetiva fixar e também difundir os valores da razão, como meio de normatização da vida humana nas sociedades, através de um jogo simbólico onde palavras e traços iconográficos se juntam numa dança de sedução e fixação.

Neste caso podemos ainda citar o professor Sidarta Ribeiro: “Quando palavras se associam por congruência semântica, sintática ou fonética, ocorre uma associação de uma outra ordem, psicológica, que por sua vez é implementada através de uma pletora de associações celulares.”

Portanto, podemos afirmar que a linguagem é ao mesmo tempo psíquica e também de domínio social. Prova disto é que não existe grupo humano que não tenha desenvolvido algum tipo de linguagem - sendo assim ela se torna o meio de expressão do pensamento, a exteriorização deste no mundo real, por conseguinte, a realidade daquilo que pensamos.

Seguindo a linha de raciocínio do professor Sidarta Ribeiro onde ele afirma que: “A mente opera através de leis simbólicas próprias – associação, deslocamento, condensação, repressão e transferência – que se ancoram microscopicamente nos mecanismos de plasticidade sináptica...”. Podemos aferir, desta maneira as palavras de Parmênides, onde afirma que: “existe uma relação íntima entre o pensamento e o ser, ou seja, uma correspondência entre Ser e pensar”.

Nesta perspectiva, o homem pode ser também pensado como um animal simbólico, isto é - capaz de elaboração de códigos de linguagem, sustentado por regras morais, mediadora de comportamento e de expressão.

E que em certos momentos de sua existência, consegue se sobrepor ao símbolo para atingir as experiências de sua ânima, construídas a partir das vicissitudes do cotidiano, buscando desta maneira novos canais de expressão que servem como escape para suas angústias, desejos e verdades, onde as palavras usuais não conseguem expressar a totalidade do seu pensamento.

19 visualizações

PERGUNTAS?

DESEJA UM ORÇAMENTO? QUEREMOS AJUDAR

  • Facebook
  • Instagram

Tel: (81) 98539-9015

Endereço: Rua Desembargador João Paes, 446 - Boa Viagem, Recife

CNPJ: 19.096.597/0001-48

© 2023 por Frederico Spencer.

Tel: (81) 98539-9015