OS ÓCULOS

Junto com o fim da tarde cruzou a porta da sala.


Jogou-se no sofá. Dali só se moveria quando acumulasse alguma energia no corpo - enfim, mais um dia havia acabado.

Primeira coisa a fazer naquele instante era livrar-se dos óculos, naquela hora lhe pesavam mais que todo o cansaço que retalhava seu corpo, precisava esquecer aquele dia e de tudo que estava impregnado em suas lentes.

Fazia força, queria enxergar o mundo como todos enxergavam, por mais que tentasse não conseguia entender esse mal-estar, essa indignação. Queria que a cegueira lhe tomasse conta - malditos óculos que aumentavam o tamanho do mundo.

Todos os dias pensava em deixá-los em casa, sair pelas ruas e se perder no meio da multidão. Seria levado como todos, naquela dança das horas e chegar leve em sua casa. Passar pela porta da sala e sentir-se como uma criança.

Com o nascer do dia - alheia, sua valise o esperava deitada sobre a cadeira, aguardando ganhar as ruas e multiplicar os sonhos do seu patrão.

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