O SIGNIFICADO DAS COISAS E AS “COISAS” DO SIGNIFICADO

Atualizado: Abr 7

O meio ambiente em que vivemos é repleto de símbolos (palavras, sons e imagens), estes ajudam o ser humano a entender o seu meio circundante, como também o que lhe é externo, aquilo que extrapola seu território ou campo de visão. Toda essa parafernália, verbais ou não-verbais, são classificadas como linguagens, essas “linguagens” dão significados ou sentidos para os objetos que nos circundam.


O estudo do impacto das linguagens em nosso mundo mental é estudado pela semiótica. Ela busca entender como o ser humano interpreta as coisas e também, como este ser, atribui significados a elas. O objeto de seu estudo é extremamente amplo, percorrendo praticamente todos os caminhos da nossa vida social: música, artes visuais, cinema, gestos, religião, moda, e por aí segue.


Resumindo, quase tudo que existe em nosso mundo real pode ser analisado através da semiótica, pelo simples fato de, para que algo possa realmente existir, é necessário que este objeto tenha uma representação em nossa mente.


Com referência à significação das palavras, frases e textos, portanto da compreensão textual - sendo isto o que mais nos interessa neste caso -, dando prosseguimento ao outro texto: Quem tem medo da poesia?, o qual foi publicado também neste site. Aí, estaremos entrando no campo da semântica.


A semântica é o ramo da linguística que estuda o significado das palavras e também das figuras de linguagem, estas são ferramentas importantíssimas para o processo da escrita criativa. São formas de expressão, diferentes da linguagem prosaica, do dia a dia, que dão ao texto significados que ultrapassam o sentido literal daquilo que se quer dizer, constroem um leque de opções para o entendimento do texto.


A poesia e a literatura artística são ricas neste sentido. A linguagem prosaica é a utilizada no jornalismo, bulas de remédio, manuais técnicos, enfim, daquilo tudo que pertence ao mundo real e que requer uma informação precisa.


A literatura artística, aquela dos romances, e a poesia, não têm obrigação de relatar fatos ou verdades absolutas. Elas têm obrigação com os sentidos, com o processo de como vão transportar o leitor para mundos totalmente inimaginados durante a leitura - da viagem, do deleite oferecido através das páginas onde acontecerá o deslocamento dos significados - duro e rígidos - no seu modo cotidiano, para uma epopeia de possibilidades, de vislumbramentos.


Voltando à semântica, entendendo-a no sentido mais amplo e que mais nos interessa neste momento, encontraremos dois grupos de estudo de interesse: a denotação e a conotação das palavras.


A denotação é o conceito de entender a palavra no seu sentido mais rígido, da sua significação original, com ela se extingue a possibilidade de extrapolação do significado de uma palavra para um outro mais amplo, conceitual. Ex: o carro anda, o prédio é alto. (significados fixos).


O conceito de conotação é aplicado quando uma palavra adquire a possibilidade de ampliação de seu significado, dentro de um contexto, ultrapassando desta forma seu conceito único, criando desta maneira várias possibilidades para sua interpretação, portanto, de sua significação. Este processo dá realce ao texto, multiplicando seu sentido.


Neste momento entramos na égide das figuras de linguagem, objetivamente no campo das metáforas - extremamente rica e primordial para a poesia - qual um transporte, nos fazem passear nos levando de um mundo a outro, enriquecendo nosso universo imaginativo.


Entendendo esses processos, das coisas do texto, qual peças de um automóvel que se completam e se encaixam para fazer a máquina andar, criaremos as possibilidades - para a criação e compreensão textual - como também para o desmonte do medo que nos cerca frente ao texto poético e da escrita criativa. Desta forma teremos os meios necessários para respondermos sobre a questão: Quem tem medo da poesia? Tomara que ninguém.



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