O OLHO DO RINOCERONTE

Por Adriana Mayrinck


Enviado pelo autor, de Recife, recebi essa semana, surpreendida até pela rapidez, O OLHO DO RINOCERONTE, que atravessou o oceano atlântico, e aportou em Lisboa, não para ser lido, mas para ser apreciado.

E ao gostar muito da capa e deparar-me na contracapa com a seguinte descrição: Os rinocerontes são grandes mamíferos perissodáctilos (ungulados de dedos ímpares), da família Rhinocerontidae. Geralmente vivem isolados. Para demarcar território, pisam nas próprias fezes, acumulando em pilhas que podem atingir um metro de altura, às vezes escavam em volta pilhas, tornando-as ainda mais visíveis. Têm cabeça e tórax grandes e pernas curtas, olfato e audição potentes, seus olhos são pequenos, sua visão é fraca…

Fiquei pensando no quanto seria difícil escrever essa resenha e ler esse livro, confesso.

Depois como sempre, e mais uma vez, Frederico Spencer, surpreende:

…Mas esse livro não é sobre rinocerontes, é um livro de contos, com suas várias histórias que nos coloca frente a aspectos de verossimilhança com o comportamento animal. Todo o resto é mera ficção.

E fui em busca, com avidez e curiosidade, dessas semelhanças que temos com esses seres que nunca fizeram parte do meu universo. E não consegui parar, até à última página. Li, reli, absorvi, aspirei, traguei cada palavra, embevecida pela forma quase poética e metafórica dos escritos. Cada conto tem a sua particularidade, uns emocionam, outro causa repulsa, outros despertam o pensamento, ensinam, preenchem a alma e confortam. E sempre nos conduzem para a inquietação. Daquelas que mexem com o que está sossegado dentro de nós e nos conduzem de volta a sensações escondidas na memória. E ficamos com o olhar perdido no tempo, imersos em nossos questionamentos e buscas. E é isso que o autor provoca, com O OLHO DO RINOCERONTE, uma imersão em nós mesmos. Em cada página, percebemos nas entrelinhas, as intenções, análise crítica, exercício de escrita, e cuidado na elaboração de cada conto. Frederico Spencer não escreveu para ser uma simples obra de entretenimento. Ele faz um chamamento ao leitor, para um mergulho no reflexo do espelho, no lado de dentro. Nos conduz até um ponto, depois solta a nossa mão e nos empurra para um mergulho íntimo. E deparamos com todas as nossas memórias, algumas esquecidas, outras abandonadas, consciente ou inconscientemente, estão lá e são despertadas em cada página do livro. Sensações e sentimentos, altruístas, egoístas, gentis, amáveis, humorados, solidários, irracionais, cruéis, sádicos, masoquistas, de sobrevivência ou simplesmente o que somos, ao nos despir de todas as influências do meio social e nos defrontarmos com a nossa nudez como ser humano, e em essência, como diz o autor, percebemos o quão somos semelhantes, com os nossos irmãos do mundo animal.

Além de agradecer, por essa imersão e despertar dos sentidos e pensamento, com uma leitura agradável e envolvente, parabenizo Frederico Spencer por saber usar as ferramentas certas e ser esse fio condutor, dentro da poesia ou da prosa, um autor completo, que utiliza como ninguém uma das ferramentas mais preciosa no espaço literário: a análise do ser humano e suas analogias, transportada por uma imensa capacidade de criação e conhecimento, não só estrutural e gramatical, mas, principalmente poética.

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