O EU E O TEXTO

Atualizado: 11 de Set de 2019

Uma folha de papel, caneta na mão e uma ideia na cabeça. Ou, pode ser também: o teclado de um computador. Para alguns, mais que outros, agora tudo é medo e angústia.

Eis o que paralisa: como começar? Como trazer para o papel algo tão sutil e volátil, e ainda – que fala de coisas que podem expor aquele que escreve - pior ainda, depois de escrita a palavra só é extinta depois de rasgada.

Fica a pergunta no ar: como trazer para o ambiente físico aquilo que se traz no pensamento? Emoções disformes que querem saltar e se transformar em algo palpável. Sempre múltiplas, um leque de possibilidades, elas sempre nos jogam no tatame.

Neste instante um sentimento de vazio invade, ressoa no ar uma pergunta: como contar a história? Como passar para a folha de papel, virtual ou não, aquilo que é só emoção e impulso - isto paralisa!

Sem querer adentrar nas teorias da escrita criativa podemos afirmar que três técnicas, no mínimo, podem ajudar no processo de criação do texto. Estamos falando aqui da busca do eixo narrativo para o desenvolvimento textual, que vai responder à questão do “quem” e do “como” se vai contar a história.

Três figuras passam a atuar no centro do palco: o eu ficcional, o eu confessional e a terceira pessoa – um alter ego do autor. A escolha é daquele que se propõe a escrever e esta, deve ser feita no sentido de ajudá-lo a sentir-se mais à vontade para expor suas verdades.

O eu ficcional é explorado quando a história é contada e/ou vivenciada por um personagem fictício - pura invenção do autor - a ele é dado o poder do desenvolvimento da narrativa, vivida por suas ações, negativas ou não, extraídas do seu processo psicológico. Neste caso, só o personagem é exposto, nunca o autor. Todo o processo é puramente ficcional, as verdades ficam do lado de fora do contexto, o importante aqui é a contação de uma história, partindo das emoções de alguém que nunca existiu de fato. O personagem é só papel e tinta.

O eu confessional são as confissões do autor, ele passa a ser o personagem central do relato, sua escrita é consciente, isto é, neste processo criativo só a sua realidade é quem dita o fio narrativo.

Mas, também neste caso não basta só copiar a realidade, senão, o texto perde seu caráter romanesco - aqui existe a necessidade de criação ficcional do autor - os fatos são verdadeiros, mas também ficcionados, ou seja, escritos pela imaginação do autor.

Outra via para a resolução do problema: ficcional ou confessional, portanto, para que se construa uma boa escrita, podemos fazer o uso da terceira pessoa – uma espécie de alter ego do autor. Esta técnica impõe uma certa distância entre o texto e aquele que escreve, abrindo um caminho de mão dupla para o ficcional e o confessional numa mesma história. Esta prática causa também um certo prazer para o leitor, porque cria múltiplas possibilidades para o fio narrativo.

A leitura dos clássicos pode ajudar na definição do tipo de escrita que vamos utilizar em nossos textos e nos ajuda a enfrentar os medos e angústias. Segundo o mestre Raimundo Carrero: “não adianta ter medo. Escritores medrosos não chegam longe. Podem, às vezes, até montar bons textos, justamente pelo medo. Mas essa preocupação pode reduzir a narrativa.”


Portanto, pé na tábua.

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