NA PELE DO POEMA

Trova

Mário Quintana Coração que bate-bate... Antes deixes de bater! Só num relógio é que as horas Vão passando sem sofrer.

A poesia tem a capacidade de causar espanto. De repente, frente a um texto - vez ou outra, poucas palavras - vamos sendo levados a uma viagem e, ao final da leitura, descobrimos que algo diferente aconteceu. Qual o mistério? Por que de repente essas palavras tão conhecidas se transformam e nos mostram coisas que antes não víamos? Qual a mágica?

“A arte existe porque a vida não basta”, nas palavras do poeta Ferreira Gullar, esta afirmativa corrobora a necessidade da arte como meio de valorização da vida cotidiana - da existência humana. A arte, neste contexto, é tão importante quanto à ingestão de alimentos.

A prosa, linguagem que utilizamos no nosso cotidiano, tem a função de dar funcionalidade à realidade material, reduzindo o sentido das coisas e também dos sentimentos. Ela simplifica e esquematiza o mundo como meio de padronização do pensamento humano - tem a função de transmitir o discurso ideológico, fazendo que todos pensem como uma unidade.

A poesia se integra às questões do homem, seja em sua relação com os meios de produção como também nas relações com seus semelhantes - com tudo que lhe é concreto. Se não for desta forma, perde a condição de criar uma dimensão: levar o ser humano a uma nova plataforma de pensamento.

Inserida no contexto social, responde a este como meio de comunicação entre o mundo físico e o cognoscitivo, ajustando o indivíduo para o entendimento de suas questões mais subjetivas.

O fazer literário, principalmente o poético, assume o papel de conduzir o homem para sua condição mais humana. Trabalhando os conteúdos que traz de sua vivência, o poeta transporta para o papel imagens carregadas do seu cotidiano, através do uso de palavras utilizadas no dia-a-dia.

Em seu exercício, ele transforma a palavra em signo enriquecendo-a através da mutabilidade de seu sentido, que lhe é inerente – multifacetando-a, agregando valor tanto para sua ressignificação quanto para o objeto - trazendo à superfície um novo conteúdo mediatizado pelos seus sentimentos - por aquilo que quer exprimir no exercício da linguagem.

É através da linguagem simbólica, que a poesia se configura buscando a realidade objetiva, requalificando-a através das imagens que se formam na mente do leitor, circunscritas aos conteúdos que a humanizam, formando assim uma nova maneira de ver e pensar o mundo.



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