Jaci Bezerra: Um pirata sem tapa-olho

Na sua forma clássica a poesia é constituída por três características básicas: o lirismo, que trata do seu ambiente na condução da palavra e também de sua expressão. A métrica e a rima que formam seu ritmo e que constitui sua forma de sedução para a leitura. Esta é a fórmula básica para aqueles que se aventuram no exercício da poesia.

Para alguns poetas, no entanto, com o passar do tempo e o fazer constante de versos, esta fórmula transmuta-se para uma simples referência que marca sua caminhada para o achado de sua poética verdadeira, isto acontece quando ele chega ao domínio total da linguagem.

No caso de Jaci Bezerra, sua poética obedece ao rigor do clássico, mas, escapa dele transformando-se em algo novo. Seus versos não se privam da aspiração da liberdade que o domínio vigoroso da linguagem propõe fugindo, desta maneira, das fronteiras do classicismo, para lançar-se aos sentidos do espírito humano.

Dialeticamente, transgride as regras, mas, elege-as como forma de expressão do seu pensamento sem, no entanto, submeter sua linguagem aos modismos literários: “até onde Deus for irei com Deus/e o amor de nós dois irá comigo/e tanto serei tu e serás eu/que o amor de Deus/inventará um novo paraíso”. Desta forma tempo e o exercício da escrita, transformaram seus versos.

Segundo o sociólogo e poeta Sebastião Vila Nova: “Alguns de seus poemas já figuram entre aqueles que quem os lê jamais esquece, os poemas de permanência definitiva nas letras do Brasil. É o caso, entre tantos exemplos possíveis, dos “Sonetos de Arlequim a Colombina”, expressão virtuosística da coroa de sonetos”.

Ícone da Geração 65, homenagem feita pelo historiador Tadeu Rocha ao grupo poético, nascido na cidade de Jaboatão dos Guararapes, no qual foi um dos fundadores. Este grupo foi também ladeado pelo poeta e crítico César Leal, editor do suplemento literário do Diário de Pernambuco. Jaci fez parte desta geração de poetas que foi reconhecido como um dos movimentos literários mais importantes do país.

Atuou também como editor, quando fundou a Edições Pirata, que produzia livros aproveitando os horários de descanso das impressoras da Editora Massangana, com recursos próprios para a compra de material, produção esta que servia para atender à demanda crescente de jovens poetas que queriam ver seus livros publicados. A Edições Pirata foi responsável pelo lançamento de vários nomes da literatura pernambucana que hoje permeiam o cenário da poesia nacional.

0 visualização

PERGUNTAS?

DESEJA UM ORÇAMENTO? QUEREMOS AJUDAR

  • Facebook
  • Instagram

Tel: (81) 98539-9015

Endereço: Rua Desembargador João Paes, 446 - Boa Viagem, Recife

CNPJ: 19.096.597/0001-48

© 2023 por Frederico Spencer.

Tel: (81) 98539-9015