A SEMIÓTICA DA CONSTRUÇÃO SOCIAL

Atualizado: Fev 21

É próprio da natureza humana a convivência em grupo, em última instância o homem é um ser gregário. Desde os tempos mais remotos desenvolveu esta capacidade por motivação de autopreservação perante os vários desafios frente a uma natureza selvagem, na qual teria que retirar o sustento para suprir suas necessidades de sobrevivência. Conforme Nietzsche: “foi a necessidade, a penúria, que terminou por impor a vida em sociedade”.


Com a descoberta da finitude da vida, esta condição se torna ainda mais necessária. O homem encontra na vida em grupo a força e o apoio necessários para se manter e preservar sua espécie. Foi se apoiando uns nos outros, que o homem foi dominando seu meio ambiente: a caça, a domesticação dos animais, o desenvolvimento de uma agricultura de subsistência e a manipulação do fogo - condições básicas para fixar residência num determinado local.


O aparecimento da linguagem neste contexto, serviu como ferramenta crucial para criar as possibilidades necessárias para sustentar a vida em grupo, foi preciso formatar um meio de comunicação para manter a coesão grupal dando-lhe organização e criando vínculos afetivos. Através da linguagem, o homem consegue expor suas ideias e vontades como também revelar seus sentimentos.


Conforme a professora e poeta Viviane Mosé: “A linguagem, de um modo mais amplo, não serve apenas à comunicação, ela está à disposição da expansão humana, de sua autossuperação, que surge da imposição dos limites e de sua necessária superação.”


Seguindo adiante em seu livro “O Homem Que Sabe”, ela afirma: “A linguagem fez nascer a consciência, não no sentido de espelhamento de si, de desdobramento, mas como um aparelho de linguagem e valores, uma instância de avaliação, um filtro que passou a existir entre o homem e o mundo.”


Neste sentido, a linguagem cria uma identidade para as coisas, esquematizando e simplificando o mundo, trazendo para o homem um novo ordenamento político e social, instaurando a partir daí as bases para a formação das relações sociais.


A linguagem também carrega em si uma dimensão simbólica e esta característica se torna importante, porque não só conceitua os objetos como também os valoriza - valores estes carregados de emoção, portanto, com uma função psíquica, simbólica.


É no psiquismo, que, segundo o dicionário da língua portuguesa: “é a força inteligente que comanda e orienta a energia magnética que possuímos” - onde se aloja a função artística da linguagem.

É num processo de vaivém entre interiorização e exteriorização, que o homem expõe aquilo que carrega em sua alma, tocando na dimensão simbólica dos signos. Conforme palavras do professor e poeta César Leal: “Ao usar a palavra para expressar a imagem que traz no seu espírito, o poeta livra-se do espacial e pode revelar os estados de sua alma, suas paixões, todos os movimentos de seu espírito.”


A poesia é acima de tudo a elaboração da linguagem num trabalho psíquico com o som, com o ritmo e a estética da forma. Ela possibilita um encontro do homem com sua dimensão humana, circundada pela fantasia e realidade, explorada através da crítica dos valores sócio-históricos de sua vida no planeta.

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