A PELE

Aquele homem se descamava, restos denunciavam seus passos pela casa: pedaços acumulavam-se na mesa, nas cadeiras, no sofá. Toda a família já havia se perdido naquele amontoado de pele fina.

Em algum momento o filho o resgatava – vez em quando abria uma fresta da janela para tomar ar e um pouco de sol, seu pai reclamava do frio, enquanto perdia peso.


Enquanto descamava:


- Primeiro, quero saber quanto você ganha meu jovem? Não pode atrasar um único dia sequer os pagamentos. Os tempos estão muito difíceis, somos eu e meu filho agora. Você vê este apartamento? Está caindo aos pedaços, vivemos dos aluguéis, está tudo muito difícil, dinheiro é tudo neste mundo. Com meus 87 anos nunca havia visto isto antes.


- Pai, posso dizer o valor do aluguel?


- Ontem sonhei: estava nesta sala, bem no centro, havia flores e um doce no ar, poucas pessoas ao meu lado, estava descansado e alegre ao mesmo tempo. Uma mão gelada vinha me buscar, fechei os olhos. Acordei com os olhos do filho, era hora dos remédios, pena que não morri.


- Vai assinar o contrato agora? Preciso levar para o advogado. Quanto você ganha meu filho? Escreva aí seus dados!


- E essa coceira que não passa... Não posso morrer hoje.


- Assine o contrato logo, por favor meu jovem. E reze por mim.

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