A ESCRITA, O HOMEM E O ANIMAL

Atualizado: 14 de Abr de 2019

O ato de escrever consiste num dos processos mais complexos para a formação do cognitivo humano. Implica numa série de conexões cerebrais que requer amadurecimento do sistema nervoso central e este se desenvolve ao longo do tempo conjuntamente com as interações que o ser vai construindo com os objetos de seu meio e com os demais de sua espécie.

O processo de socialização firma-se com o aprendizado da fala e consequentemente da leitura e escrita. A comunicação neste sentido se desenvolve como meio de autopreservação do indivíduo - da realização dos desejos de sobrevivência.

Com a interação social aprendemos a identificar os objetos e a transmitir nossas vontades e necessidades, assim, construímos uma rede de conexões através dos grupos que nos rodeiam.

A comunicação faz parte do processo de desenvolvimento da raça humana, sem ela, as gerações não sobreviveriam às vicissitudes de uma natureza selvagem. Através do tempo deixamos informações importantes de sobrevivência - seja de forma oral ou grafada – garantindo para filhos e netos uma compreensão de mundo, principalmente das ameaças que rodeiam a vida humana no planeta.

Desde o começo do processo civilizatório, o homem tenta deixar um acervo de informações para as gerações futuras - ameaças terrenas ou crenças em seres sobrenaturais - povoaram sua mente e ornamentaram as paredes de suas cavernas. Ações como estas serviram como fonte de informações e de preparo para a nossa existência.

A linguagem é formada por um código representacional, simbólico por natureza, conquistada a duras penas através dos tempos. Este código garante ao homem a conquista do seu espaço - físico e temporal – advindo de suas necessidades. Desta maneira se formaram os traços culturais dos povos.

Foi a partir da invenção de Gutemberg - a palavra impressa - que a humanidade deu um salto de qualidade: tecnológica e social. A partir dela, as ideias passaram a circular pelo mundo sem perder sua essência - uma virgula, um ponto. O conteúdo permanece intacto multiplicando a voz do autor. A informação corre mundo afora - bibliotecas são erguidas em nome da proteção e disseminação da palavra.

Uma das características que nos distingue das demais espécies é o ato de falar e escrever, fato este que nos torna capazes de pensar e agir de acordo com nossa consciência. A palavra e as imagens são ferramentas primordiais para a elaboração do pensamento como também para a execução das ideias formadas a partir da observação da natureza.

Neste sentido a literatura, seja ela ficcional ou não, assume papel preponderante para o desenvolvimento humano. Sendo esta não ficcional tem como objetivo a disseminação dos fatos e das ideias - é encontrada nos jornais, bulas de remédios, códigos de leis, relatórios e etc. Estas possuem características do pensamento lógico-formal, comprometida com a verdade absoluta das coisas e dos fatos. Aqui, a compreensão textual se reduz ao seu caráter informacional, limpo e conciso.

É através da literatura ficcional, encontrada basicamente na prosa dos romances e na arte poética, que o espírito humano desenvolve sua capacidade de criação e do raciocínio, portanto, de uma potencialização de sua rede neural, já que a ação de transportar para o papel aquilo que traz no seu pensamento - fruto da observação do cotidiano - requer do autor o trabalho da reunião de suas memórias e de sua criatividade para um código de escrita rígido - a depuração do signo em prol da multiplicação de seu sentido.

A ficcão neste sentido tem a capacidade de provocar a reversão do pensamento lógico-formal, para um modo mais dinâmico no sentido da ampliação dos conteúdos, bem como da libertação dos conceitos enraizados pela cultura, trazendo para o indivíduo novas perspectivas de entendimento de mundo.

Portanto, a literatura artística, ficcional por natureza, promove a flexibilização das formas do pensamento – fixo, de conteúdo único - para um modo onde as possibilidades de entendimento do texto são multiplicadas, transportando o leitor para outras esferas do pensamento.


O ato de escrever e de ler requer no mínimo duas condições básicas:

RACIOCÍNIO: Exercício da razão pelo qual se procura alcançar o entendimento de atos e fatos, onde se formulam ideias, juízos e se deduz algo.

MEMÓRIA: Faculdade de conservar e elaborar estados de consciência passadas.


O ser humano desenvolveu ao menos duas formas de expressão literárias:

1 - PROSA:

FICCIONAL: Narrativa imaginária, irreal, criadas a partir da imaginação, pode ser ou não advinda da realidade.

NÃO FICCIONAL: Narrativa factual sobre a realidade.

2 – POÉTICA: É uma manifestação de beleza e estética retratada em forma de palavras. Existem determinados elementos formais que caracterizam um texto poético - como por exemplo, o ritmo, os versos e as estrofes - que definem a métrica de uma poesia.

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